quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A Selvageria doce de Aydar
Aydar é filha de pai músico e de mãe produtora musical. Seu talento nato e ter nascido em berço artístico só confirma sua precoce veia musical. Desde cedo acompanha à distância gigantes da música popular brasileira como Luis Gonzaga e Lulu Santos passar pelos cuidados da produção de sua mãe, eles ensinaram-na mesmo que indiretamente o ofício de musicar, e quando o passarinho enfim criou asas, voou longe por terras inúmeras, resultado de seu apreço por inovar na música, explorando forró ao samba, passando pelo rock com guitarras psicodélicas, mas em suma pingando de pouquinho em pouquinho doses cavalares de samba fino em sua poção musical.
Mas Aydar já deixou claro não aplicar à si qualquer tipo de encaixotamento de gênero, apesar de percebermos influência maior do samba em seus dois primeiros álbums, a moça de voz doce e suave insiste em dizer que não se prende a estilo algum, pois quer se anteceder às amarras que possa limitar inovações em sua maneira de fazer música.
E faz sentido pois em seu terceiro álbum 'Cavaleiro Selvagem aqui te sigo', lançado agora esta semana, Aydar empresta às canções do disco um leque extenso de ingredientes diferentes de apenas um gênero. Ela une sonoridade moderna com uma regionalidade latente de confins do Brasil. Pra isso, flautas e batucadas ritmadas de percursão impõe lugar à tão ansiada comunhão de ritmos que Aydar tanto buscava.
Letieres Leite, maestro, compositor e arranjador da muito especial Orkestra Rumpilezz, brilhante jazz afrobaiano de atabaques e sopros, se fez presente durante o processo de criação do disco como uma figura-mestre, afinal produtor do álbum, ao lado do parceiro de Mariana desde seu primeiro disco, o sensível e incansável baterista e multi-instrumentista Duani.
Com quatro composições próprias, mais Caetano Veloso, Orquestra Imperial, Zeca Pagodinho (em um novo arranjo classudo em 'Vai Vadiar') Romulo Froés e Trio Virgulino, ela fez um disco múltiplo, sem rótulos, misturando o contemporâneo e o ancestral. A essência da sanfona é dedicado ao mestre Dominguinhos, que ela tanto admira e com quem dividiu o microfone na ‘Preciso do Teu Sorriso’.
Mariana participou de um dueto com o vocalista Gary Lightbody da banda irlandesa Snow Patrol na segunda noite de show do Rock in Rio. A música escolhida foi "Set The Fire", e a química dos dois no duo foi coisa bonita de se ver.
Depois dos ensaios que teve com Mariana, Lightbody disse à imprensa:
“Estou encantado com a voz da Mariana, que é doce e suave. Ela é muito talentosa. Toda vez que escolhemos uma cantora para dividir o palco conosco, esperamos ser influenciados pelo trabalho dela. Mas não quero falar muito sobre isso, porque a ideia é fazer uma surpresa e deixar acontecer no palco – disse ao GLOBO o vocalista Gary Lightbody.”
'Cavaleiro Selvagem' se trata da música que deu nome ao disco. Aydar conta que a frase do refrão lhe ocorreu enquanto estava distraída e brinca ao dizer não ter entendido nada de início, mas depois ocorreu que a letra poderia se tratar de 'uma maneira de nos conectarmos com a nossa natureza mais instintiva'.
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