Quando juntamos este termo pejorativo à palavra 'arte' logo somos envenenados por um pré-conceito que nos leva ao senso comum em pensar que se é marginal a tal da arte inserida não deve ser coisa boa ou digna de consideração. Este estigma macula as intervenções independentes do cidadão urbano desde o dia em que decidiu clamar por ascensão, pois o conservadorismo dos burgueses que pensavam dominar a tão liberta arte se recusavam a dar reconhecimento às planfetagens, música crua mas que transbordava sentimento do povo pobre, e às artes plásticas sempre reproduzidas com materiais descartáveis, acessíveis e de baixo custo.
Por fim, o termo 'Arte Marginal' foi criado nos anos 1960 e 1970, no Brasil e denomina uma arte que não está envolvida nos meios tradicionais como livros de grandes editoras e música das grandes gravadoras, tudo o que puder ser produzido pelas mãos revolucionárias dos artistas de rua.
Essa é a minha deixa pra falar sobre grafite, pois esta intervenção é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. Existem relatos desta manifestação cultural desde o Império Romano e seu aparecimento na idade contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade, algum tempo depois essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.
O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.
O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros por sua vez não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro, o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.
Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois de um lado o grafite é desempenhado com qualidade artística, e do outro não passa de poluição visual e vandalismo.
E é exatamente a bandeira da liberdade de expressão que os grafiteiros levantam, afinal grafite é arte, a arte das ruas.
As fotos aqui postadas fazem parte do trabalho de dezenas de grafiteiros espalhados pela Zona Sul, em especial do bairro do Grajaú numa convenção de grafite que os reuniu numa tarde de Sábado, onde o principal sentimento compartilhado entre tantos colegas de ideais reunidos era a confraternização. No evento houve música e curiosos que acompanhavam com os olhos admirados nas paredes.
Tive a oportunidade de conversar com alguns grafiteiros, um deles inclusive é brother do pessoal do Stúdio de tatuagem que eu freqüento, e pude ver o quão importante é uma lata de spray na vida desses profissionais marginais. Se o tema é polêmico ou não, o fato é que essas pessoas escrevem suas vidas nos muros em tons de arco-íris, e deixam um futuro incerto regado à más companhias e más atitudes nas ruas pra trás, a arte é a vida deles.
Dar voz a essas manifestações, da forma que é feita aqui, é fundamental. Creio que há possibilidades imensas em um estudo fecundo desse tema através de um estudo envernizado pelo método sociológico de pesquisa. Seria adentrar nesse mundo revelando aspectos não percebidos a um simples transeunte das calçadas desses muros grafitados.
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