terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Princesa que Calçava Chinelos


Segunda postagem da Escrita+Foto do meu projeto.
Esse texto completará seis anos em Abril.

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A Princesa que calçava chinelos


Roubava o brilho das estrelas pra iluminar seu sorriso;
Lutava com gigantes caolhos de Segunda a Segunda, todo santo dia;
Navegava os sete mares e atravessa mauzoléis em busca do tesouro perdido;
Cantarolava  desafinado no caos de sua confortável agonia;
Se aquecia dos tremores do tédio  com o manto dos olhos dele;
Cavalgava unicórnios alados adentrando a cidade cinza;
Se debulhava em lágrimas quando previa a maresia;
Assoprava a ferida e logo estava de pé;
Ria dos males da vida quando não tinha mais fé;
Dormia de ponta cabeça pra esquecer da dor;
Se alimentava de larvas e sonhava com fadas;
Lavava roupa no tanque de madrugada pensando em ser rainha;
Escalava cumes inabitáveis atrás de seu sapato de cristal;
Brincava com os anjos à noite e acordava sozinha;
Pedia pra estrela cadente um coração de madeira;
Se apaixonava pelo sol mas se entregava à lua;
Fechava todas as janelas e emperrava a porta com uma cadeira;
Não tirava a maquiagem pois se sentia nua e feia;
Andava descalça sobre os pregos de suas palavras;
Torturava sua alma com uma teimosia sem razão;
Montava armadilhas tristes e caía em sua própria cilada;
Cronometrava sua efêmera alegria com grãos de feijão;
Fitava as rugas do tempo sem qualquer sentimento;
Trocava a lâmpada da caverna pra se sentir poderosa;
Ligava a TV quando acordava pra conversar com o homem do tempo;
Pintava os cabelos pra se parecer com aquela cantora famosa;
Salvava vidas com a ciência e ia sempre à mesa branca no Centro;
Comia os dedos dos pés pra espantar a ansiedade;
Coloria o arco-íris de sua existência com guaches e lentes de aumento;
Colecionava arrepios como quem guarda antigüidades;
Desfazia o coque no topo da cabeça só pra dormir;
Beijava seus lábios ardentemente ignorando sua sedutora deslealdade;
Dançava de saia rodada e encavara o que havia por vir;
Sentia mas era oca;
Não era desse mundo, não tinha começo, meio nem fim.

- Abril de 2007

domingo, 13 de janeiro de 2013

O bom filho à casa torna!

Minha última publicação aqui no Brrave foi há 7 meses atrás, quanto relapso! Mas isso vai mudar!

O ano de 2013 abriu as portas e pra dar boas vindas à mais um ciclo que se inicia, irei pôr em prática alguns dos tantos projetos que ando alimentando em mente há algum tempo.
E um desses projetos será criar uma tag pra ARTE ESCRITA no bloguinho. A idéia é a seguinte:
Criar textos em formato de prosa, poema, conto ou poesia pra ilustrar futuras fotografias de minha autoria. A inspiração desse projeto veio desse trabalho belíssimo do Loja de Histórias - que em breve será tema de um post por aqui também - e pra dar início à tarefa, publicarei um texto que escrevi em Abril de 2011, em um diário que foi abandonado por conta do bloqueio criativo que tenho de tempos em tempos.
Reunirei os textos que encontrar em meio aos meus segredos encaixotados espalhados por aí com o intuito de reservar um material bacana a se expor.
A imagem que irá ilustrar este texto não é de minha autoria, mas em breve usarei as minhas próprias.
Espero que gostem!






- 11.04.11


O silêncio rompe a andança do barulho pré-anunciado. Lanço gestos abrasivos em forma de cordões apertados.
Enlaço teu queixo alheio apertando firmemente sua petulância, causando-lhe pernas bambas com meu ruído.
Uno-me ao teu calor, dois mundos de sensações colados num laço. Peito com peito é onde o Universo morre lá fora...
Enquanto nasce o desejo por tornar imperecível o aconchego entre o enroscar de póros.
Cabeça recostada no ombro tenso, boca clamando pela nuca descoberta, olhos cerrados percorrem as nuances das curvas da pele desnuda.
Os dedos apertam o tecido de chita abaixo de nossos corpos. Labirinto de cores e formas onde a realidade é incapaz de emprestar. Quando a carne sente, o etéreo se faz presente e desiste de desejar qualquer outra migalha de coisa.
A TV ligada num filme qualquer nos assiste emudecida, largada à escuridão do cômodo.
A visão privilegiada aqui pertence aos meus olhos, e do alto de teus beijos contorno de saliva vagarosa e despreocupada sua inteira mesmice.
Fito teus arrepios e digo entredentes:
- troca de canal não, deixa como está...