segunda-feira, 27 de junho de 2011

Blind Boy Blues



The Jeff Healey Band, é uma banda Canadense, que leva o nome do seu "frontman" Jeff Healey. Jeff Healey nasceu em 25 de Março de 1966, em Toronto, Ontário, Canadá e com menos de um ano de idade perdeu sua visão para uma rara espécie de câncer.

Ganhou de presente sua primeira guitarra em um natal também muito jovem; adaptou a guitarra a sua maneira de tocar, que hoje lhe é uma característica própria comumente chamada de "lap-top" (onde ele toca de uma maneira que envolve todos os dedos para tocar sua guitarra, apoiando-a em uma plataforma especial, ou nas pernas, onde ele ainda: toca com os dentes, com a guitarra sobre a cabeça, e muitas vezes em pé agitando o público).

Com seis anos de idade já tocava e cantava. Adolescente se apresentava em bares e clubs, e aprendia ouvindo outros guitarristas tocando. Jeff Healey antes de se fixar no Blues tocou de tudo um pouco, como Jazz, Country, Reggae, Heavy Metal, R&B, Rock e enfim Blues. Em uma escola especial para cegos tocou guitarra e trumpete, e organizou um grupo chamado Blues Directions.

Em 1985 lançou um vídeo independente chamado Adrianna. No mesmo ano um amigo e lendário guitarrista chamado Albert Collins "convenceu" Jeff Healey a subir ao palco com ele e ninguém menos que Stevie Ray Vaughan por algumas semanas. O pequeno jovem, loiro e cego, impressionou Stevie Ray Vaughan, que passou a ser um grande amigo do menino prodígio.



Em 1985, Tom deixou sua carreira de engenheiro urbano e Joe sua promissora carreira dentro dos estúdios e se juntaram a Healey. Nascia então a The Jeff Healey Band com Jeff Healey na guitarra/vocal, Joe Rockman no baixo e Tom Stephen na bateria; Healey tinha apenas 19 anos de idade.

Em 1986 ao tocar em um festival em Vancouver com B.B.King, deixou o mestre e sua "Lucille" boquiabertos. Fizeram tour pelo Canadá por dois anos, lançando uma espécie de "demo", antes de se filiarem a Arista Records & BMG Music Canadá Inc.

Seu álbum de estréia foi o See The Light, que já atraia devotados fãs de blues, com notoriedade para as músicas Angels Eyes e Confidence Man. Nessa mesma época Jeff Healey e banda participaram de um filme que lhe deu uma boa ascenção internacional: Road House (Matador de Aluguel, com Patrick Swaize), onde tocava com sua guitarra em um bar.

Em 1990 seu segundo álbum, Hell to Pay, trazia George Harrison (ex-beatle) tocando com Jeff Healey na faixa cover dos Beatles,"While My Guitar Gently Weeps" e também Mark Knopfler (Dire Straits) tocando com Jeff Healey em I Think I Love You Too Much. Hell To Pay é considerado por muitos fãs da banda, como sendo o melhor álbum do grupo.



Fell This, terceiro álbum, aterriza logo depois com ótimas músicas, ótimas letras. Outra vez um grande trabalho da banda, mas que infelizmente não deu o retorno esperado.

Cover To Cover, quarto álbum, traz covers de diversos artistas, entre eles Jim Hendrix e John Lennon, segundo a banda o álbum foi uma "expectativa de recuperarem as raízes". O álbum ainda conta com Joe Popper (Blues Traveler) tocando harmônica em Communication Breakdown.

Em 2000, após praticamente 5 anos de espera, The Jeff Healey Band, nos traz "Get Me Some", 5 álbum da banda. Get Me Some, não é um álbum característico da The Jeff Healey Band, mas é muito bem recebido pelos seus fãs, que o aguardavam ansiosamente. Um pouco de Pop, um pouco de Rock e um pouco de Blues, é essa a essência de "Get Me Some". Destaque para as músicas: Macon Geórgia Blues, Runaway Heart , Feel Better e The Damage Is Done.

Ele fez um total de 10 álbuns, incluindo jazz e blues-rock, seria difícil de adivinhar que alguns dos álbuns foram pelo mesmo artista. Em janeiro de 2007, Guitar Player disse:
“Jeff Healey may be the only cat around who can play the prewar jazz of Louis Armstrong on the trumpet, and the heavy electric blues-rock of ZZ Top on the guitar.”



Quando se fala de Jeff Healey as palavras "incrível e maravilhoso" quase sempre entram no meio da conversação, pois ele possui uma técnica afiadíssima, presença de palco, uma ótima voz, é ótimo letrista além de possuir um tremendo felling. A banda teve um Award do Canadian Entertainer of The Year, um Music Award por melhor grupo em vídeo e duas indicações para o Grammy, entre outros.



Minha experiência com Jeff Healey rendeu discos vendidos e recomendações com a boca cheia! É muito mais gostoso quando se indica um artista que faz sua cabeça, seu virtuosismo ao tecer frenéticamente solos incríveis nas cordas da guitarra sempre apoiada no colo me deixou igualmente boquiaberta quanto seu amigo B.B. King!

A história desse talentoso guitarrista só prova que boa música não tem barreiras,
ele nunca pode ter visto a luz como diz sua famosa canção 'See the Light' mas toca
como se fosse abençoado por ela!

Já está na minha playlist de blues juntamente com Gary Moore, Stevie Ray Vaughan,
Rory Galagher,  e Muddy Waters!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Guitar Hero



Les Paul (nome artístico de Lester William Polfus, foi um virtuoso guitarrista e pioneiro no desenvolvimento de técnicas e instrumentos musicais elétricos.

Começou a se interessar por música aos oito anos de idade, quando começou a tocar gaita. Logo aprendeu banjo e posteriormente guitarra. Aos 13 anos de idade já era guitarrista de música country e já tocava profissionalmente.

Após participar de algumas bandas, Paul lançou seus dois primeiros discos em 1936: um deles com o nome de Rhubarb Red, e outro como músico da banda de Georgia White. Aos poucos  Les Paul, que também foi o criador da gravação multicanal, adquiria fama e surpreendia o mundo inteiro por seu talento fantástico com o instrumento e sua virtuosidade e velocidade anormal nos solos, que até os dias atuais surpreende a todos que o ouvem.



Les Paul - Chasing Sound:





Gibson Les Paul

Les Paul está por trás de uma marca famosa de guitarras Gibson, e muitos se esquecem ou simplesmente desconhecem o fato dele ter criado o modelo que dá nome a ela. Após anos fabricando suas próprias guitarras e inovando com novos modelos e características de fabricação, cria uma das primeiras guitarras com corpo de madeira sólido. A Gibson Guitar Corporation fabricou algumas dessas guitarras, mas não quis assiná-las com logo da marca. Após alguns anos, a fabricante mudou de ideia, e se tornou um dos mais duradouros e populares modelos de instrumentos no mundo. Seu design foi deixado praticamente intocado por quase 50 anos. Através do sucesso de vendas da guitarra de som incorpado e seu jeito magistral de tocar guitarra fizeram desse astro pop um ícone lembrado por fãs de boa música até os dias de hoje.



Les Paul Standard 2010 Limited



Les Paul Studio



1950s Tribute Electric Guitar Les Paul

E é por isso que Les Paul é assunto desse post, ele não criou apenas modelos de guitarras e equipamentos elétricos, mas criou juntamente com isso, uma sonoridade diferente para o mundo da música. O som 'diferente' das Gibson Les Paul registraram momentos de talento e criatividade na música em todo o mundo. Muitas músicas que escutamos não teriam o mesmo som se não fossem tocadas por uma guitarra modelo Les Paul.

Muitos músicos renomados usaram e abusaram do modelo de guitarra de Les Paul, dentre eles está Eddie Van Halen (Van Halen), George Harrison (Beatles), Jimmy Page (Led Zeppelin), Pete Townshend (The Who) e meu ídolo incondicional, Gary Moore (ex-Thin Lizzy).

Les Paul & Jeff Beck:



Les Paul & Mary Ford



Mary Ford, nome artístico de Iris Colleen Summers, foi uma cantora e guitarrista americana, conhecida por sua parceria musical com o então marido Les Paul. Entre 1950 e 1954, a dupla teve 16 sucessos no Top 10. Em 1951 eles venderam seis milhões de discos.

Paul escolheu "Mary Ford" numa lista telefônica para que o nome dela fosse tão curto quando o seu. Com Paul ela se tornou uma das primeiras praticantes da gravação em faixa múltipla.

Após seu casamento com Les Paul, o casal apareceu junto em seu programa de rádio na NBC, The Les Paul Show (1949-50), e tiveram uma sequência de sucessos pela Capitol Records no início da década de 1950, inclundo "Tiger Rag", "Vaya con Dios" (11 semanas no 1º lugar), "How High the Moon" (nove semanas no 1º lugar), "Bye Bye Blues" e "The World Is Waiting for the Sunrise". Essas canções tinham Mary harmonizando com si própria, dando aos vocais um som novo e diferente. Paul e Ford também usaram a forma - agora ubíqua - de gravação na qual o microfone é mantido muito próximo (a menos de 15 cm) da boca do intérprete. Isto produz um som mais intimista, menos reverberante do que quando o cantor está a mais de 30 cm do microfone. A consequência foi um estilo de canto muito diverso daquele predominante nas décadas de 1930 e de 1940.

Em 1953, a dupla começou o programa na televisão, The Les Paul and Mary Ford at Home Show. Em 1955, eles se apresentaram no Carnegie Hall e no ano seguinte para o então presidente Dwight Eisenhower na Casa Branca.

O sucesso da dupla começou a diminuir no final da década de 1950 e em 1962 Mary Ford e Les Paul tiveram um divórcio amargo, encerrando também sua parceria profissional. Vivendo em Monrovia, ela se casou com um velho amigo do colégio, Donald Hatfield, e passou a se apresentar ocasionalmente com as irmãs e o irmão.



Assista a um dos sucessos da dupla:




Partida

Em 12 de agosto de 2009, Paul morreu de complicações de pneumonia no White Plains Hospital, em White Plains, Nova Iorque. Sua família e seus amigos estavam ao seu lado, Paul deixou quatro filhos e sua esposa Arlene Palmer.

Ao saber da sua morte, muitos artistas e músicos homenagearam-no e expressaram publicamente sua tristeza. O ex Guns N 'Roses, o guitarrista Slash, o chamou de "vibrante e cheio de energia positiva". O guitarrista do U2, The Edge, disse: "Seu legado como músico e inventor vai viver e sua influência sobre o rock and roll nunca será esquecida".

Em 21 de agosto de 2009, ele foi enterrado em Waukesha no Cemitério Prairie Home indicando que seu túmulo seria uma área onde os visitantes pudessem facilmente visualizar. Tal como o seu funeral, em Nova Iorque, em 19 de agosto, o enterro foi privado, mas no início do dia uma exibição pública de memorial do caixão fechado foi realizada em Milwaukee no Discovery World, com 1.500 pessoas a quem foi oferecida a admissão livre a Les Paul House of Sound.



Honouring Les Paul

'Em 9 de julho do ano passado – dia em que Les Paul (1915-2009) completaria 95 anos -, Beck resolveu plugar o bom e velho modelo de guitarra em um amplificador no Iridium Jazz Club, em Nova York. O local, frequentado durante muitos anos por Les Paul, recebeu cerca de 200 sortudos na plateia para assistir à homenagem.

Registrado no DVD ‘Jeff Beck – Rock’n'Roll Party Honouring Les Paul’ o show é elegante, caprichado e intimista, assim como foi o mestre Les Paul.

No apertado palco, o britânico contou, durante a maior parte do show, com a sedutora e deliciosa voz de Imelda May para ilustrar com delicadeza as canções. A dupla teve ao seu lado um belo time de músicos. Entre eles, Darrel Highman, guitarrista e marido de Imelda – que também cantou alguns temas. Ainda estavam presentes o baixista Al Gare, o baterista Stephen Rushton e o tecladista Jason Rebello, isso sem dizer que a banda contou ainda com time de sopros de invejar.

Com topetes, costeletas e botas, mergulhados no visual rockabilly, a banda, ao lado de Beck, desfilou ‘Baby Let’s Play The House’, clássico conhecido pela voz de Elvis Presley. O clima de festa foi imediato. Highman ainda cantou ‘Double Talkin’ Baby’, ‘Cruisin” e ‘Train Kept A Rollin’ antes que a elegante Imelda, de vestido e batom vermelhos, tomasse conta da apresentação.



Na plateia, além do cantor David Bowie e do guitarrista Kirk Hammet, do Metallica, vários olhos, todos estáticos, enquanto Beck desfila seus bárbaros arranjos nas seis cordas.

A apresentação contou com participação especial de ninguém menos que Brian Setzer e Gary U.S Bond. Beck, é Beck, dispensa apresentações. Solta a mão no blues, para que Imelda mergulhe nas raízes negras do gênero. As mesmas mãos que quase arrancam fogo da guitarra também a tocam com delicadeza em arranjos magníficos de jazz. É para Les Paul se orgulhar, no mínimo.'



fontes: coluna globo rádio e wikipédia.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Psicodelia Surrealista de Mati Klarwein

Um verdadeiro cidadão do mundo, Mati Klarwein não tem raízes fortes em qualquer país. Nascido de pais judeus na Alemanha pré-guerra, ele fugiu com seus pais, para a Palestina, quando tinha apenas dois anos de idade, onde mais tarde adotou o nome de Abdul, como um gesto de empatia com os seus vizinhos árabes. Crescendo como um ocidental no que era então Palestina (depois Israel), Mati sempre foi algo de estranho e nunca se sentiu confortável em um sistema de crença inquestionável. Talvez nenhuma surpresa então que em seu trabalho ele desafie as nossas suposições sobre tudo, como religião e sexualidade para o percebedor e o percebido.

Na adolescência foi morar com a mãe em Paris, onde estudou artes plásticas. Por lá, virou amigo de Salvador Dalí e pupilo do pintor realista Ernst Fuchs. Nos anos 60 e 70, já em Nova York, foi amigo de Jimi Hendrix e Timothy Leary. Seu trabalho foi chamado de surrealismo psicodélico e foi parar em capas de discos famosos como Bitches Brew, de Miles Davis, Abraxas, de Santana e inclusive do disco Só Não Toca Quem Não Quer
de Hermeto Pascoal. 

Confira algumas de suas pinturas fantásticas aqui.

























"Abdul Mati Klarwein is a visionary poet of the sublime.  He is an artist of amazing technical virtuosity.  He is also an enigma that an ever widening audience is trying to solve."
Ronald A. Kuchta
Director, Everson Museum of Art, Syracuse, New York

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Marginalizando a Arte

A raiz do termo 'marginal 'alimentado há tanto tempo em nosso país, refere-se  a pessoas que por algum motivo não estejam inseridas no convívio social e de pessoas que tem grande pobreza e escassez de recursos, como delinqüentes, assaltantes e mendigos.

Quando juntamos este termo pejorativo à palavra 'arte' logo somos envenenados por um pré-conceito que nos leva ao senso comum em pensar que se é marginal a tal da arte inserida não deve ser coisa boa ou digna de consideração. Este estigma macula as intervenções independentes do cidadão urbano desde o dia em que decidiu clamar por ascensão, pois o conservadorismo dos burgueses que pensavam dominar a tão liberta arte se recusavam a dar reconhecimento às planfetagens, música crua mas que transbordava sentimento do povo pobre, e às artes plásticas sempre reproduzidas com materiais descartáveis, acessíveis e de baixo custo.

Por fim, o termo 'Arte Marginal' foi criado nos anos 1960 e 1970, no Brasil e denomina uma arte que não está envolvida nos meios tradicionais como livros de grandes editoras e música das grandes gravadoras, tudo o que puder ser produzido pelas mãos revolucionárias dos artistas de rua.

Essa é a minha deixa pra falar sobre grafite, pois esta intervenção é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. Existem relatos desta manifestação cultural desde o Império Romano e seu aparecimento na idade contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade, algum tempo depois essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.











O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.
O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros por sua vez não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro, o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.







Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois de um lado o grafite é desempenhado com qualidade artística, e do outro não passa de poluição visual e vandalismo.

E é exatamente a bandeira da liberdade de expressão que os grafiteiros levantam, afinal grafite é arte, a arte das ruas.



As fotos aqui postadas fazem parte do trabalho de dezenas de grafiteiros espalhados pela Zona Sul, em especial do bairro do Grajaú numa convenção de grafite que os reuniu numa tarde de Sábado, onde o principal sentimento compartilhado entre tantos colegas de ideais reunidos era a confraternização. No evento houve música e curiosos que acompanhavam com os olhos admirados nas paredes.











Tive a oportunidade de conversar com alguns grafiteiros, um deles inclusive é brother do pessoal do Stúdio de tatuagem que eu freqüento, e pude ver o quão importante é uma lata de spray na vida desses profissionais marginais. Se o tema é polêmico ou não, o fato é que essas pessoas escrevem suas vidas nos muros em tons de arco-íris, e deixam um futuro incerto regado à más companhias e más atitudes nas ruas pra trás, a arte é a vida deles.