Demorei pra conseguir ir ao cinema assistir Thor, mas hoje finalmente concretizei minha ânsia alimentada desde o dia da notícia em que um dos meus super-heróis favortitos da Marvel viria a ganhar vida nas telonas. E foi desde o início também que decidi não criar altas expectativas em relação à fidelidade roteiristica do HQ para o mundo popcorn, pois não era difícil supor que um filme super produzido pela própria Marvel haveria de ser consideravelmente editado nos moldes da grande massa.
No filme escrito por grandes roteiristas do cinema dentre eles Stan Lee, e dirigido por Kenneth Branagh (de Henrique V), vemos Thor em sua fase arrogante, vaidoso e impulsivo querendo a torto e à direito substituir o Deus de todas as coisas e seu pai, Odin, e para isso não mede esforços ser visado, como quando convence seus companheiros de batalha Sif (Jaimie Alexander),Volstagg (Ray Stevenson),Hogun (Tadanobu Asano),Fandral (Josh Dallas) e seu irmão Loki (Tom Hiddleston) de que devem invadir Jottunhein, terra dos Gigantes do Gelo para confrontar Laufey, rei dos gigantes por ter rompido com o trato firmado com Odin de que zelaria pela paz entre os povos, coisa que foi ignorada ao tentar invadir Asghard com a intenção de tomar de volta a Caixa que estabelecia poder supremo em Jottunhein que Odin levou embora no fim de uma batalha vencida contra os Gigantes de Gelo tempos atrás. E então Thor e seus companheiros desafiam os cidadãos da terra gelada e travam uma batalha quente em que cego de prazer pela fúria o príncipe Asghardiano não se dá conta de que seus amigos guerreiros levam a pior na luta e um deles é ferido, quando Odin aparece e os tira de lá aceitando passivamente o fim da trégua aos gritos clamando vingança de Laufey.
É lá que Thor escreve seu destino pelas mãos de seu pai, e é lá que Loki tem os primeiros indícios de que não é exatamente o que sempre pensou ser. Thor é banido de Asghard tendo seus poderes extirpados por seu pai em sinal de profunda decepção, então para lhe fazer enxergar sua prepotencia manda-o para a Terra, afim de sofrer como um humano e aprender a humildade longe dos privilégios que sempre teve até que seja digno de honrar os trajes e os símbolos que usou. E pensando nessa abstrata dignidade que Odin abandona a Mjolnir (martelo poderoso) numa pedra pois só quem for apto poderá tirar a Excalibur de onde foi fincada.
Daí por diante o roteiro pro cinema modifica quase que por completo a história do Deus do Trovão da HQ. Vemos Loki como meio irmão de Thor, pois ele nada mais é que filho de Laufey que Odin resgatou quando ainda bebê na devastada Jottunhein depois da grande guerra pensando em um futuro laço entre as duas terras através dele. Obiviamente isso provoca a fúria de Loki deixando o Deus supremo Odin, já muito velho e convalecido, tombado tamanha a gravidade das últimas emoções. Então Loki destila todo o seu veneno com o propósito de destronar seu pai enquanto Thor está ausente e faz ardilosidades para manter onde seu irmão está até que possa convencer Laufey a matar Odin com o trato de ter a Caixa de volta e sua terra reestabelecida. Vemos Thor de memória fresquíssima sobre sua cidade Natal e contando toda a sua história para os humanos que o tentam ajudar, entre elas Jane Foster, que aparece como uma cientista (não como uma enfermeira) bastante inteligente mas bobinha que cai de amores pelo louro sarado que desmorona encima de sua cabeça. No fim das contas achei um pouco forçado o romance repentino dos dois. Na história original Jane não se apaixona por Donald de fato, pois está cega de amores por Thor, que só aparece enquanto Donald está ausente, pra explicar melhor essa confusão, pense no Superman e no Clark Kent, é assim que o Dr.Donald vivia na terra depois que descobriu que é filho de Odin e não um mero humano... mas essa é uma outra longa história...
Adaptações grosseiras à parte, se analizarmos o filme com os olhos desprovidos de comparações trata-se da história de um herói em busca de reparações, alguém que reconheceu seus defeitos extremamente mundanos através dos humanos, irônico, não?. Um conto épico que aborda temas duais como a lealdade, traição, cobiça e humildade. Longa perfeito para uma sala familiar, que agradaria facilmente crianças atraídas pela tecnologia e feitos especiais e aos adultos que se identificariam com as piadinhas avulsas, o humor escrachado mas não exagerado e com os dramas de super-heróis. Quem foi que disse que super-herói tem que ser frio qaunto a armadura, e duro quanto o escudo? No mais, a essência desse personagem que tanto me brilha os olhos ver estampado nas páginas coloridas dos quadrinhos ainda permanece na grande tela...com toda a sua generosidade pelos demais e um carinho especial pelos humanos. Thor quer abraçar tudo e todos com seus fortes braços de Deus nórdico e empunhar sua Mjolnir afim de construir a paz aonde quer que caminhe, na Terra ou em Asghard.
Com toda certeza haverá uma continuação, afinal todos querem saber se a mocinha vai de fato conseguir encontrar seu super-herói, tô errada? rs
Ah, preciso desabafar sobre minha frustração por não ter lembrado da hiding scene depois dos créditos que faz uma menção ao outro esperado filme da Marvel, 'O Capitão América', e uma brecha para participação de Thor ao muitíssimo aguardado 'Vingadores', sim perdi, e quando voltei à sala consegui pegar apenas o finzinho do doce,rs.
Minha cotação final à Thor?
Bom, levando em consideração que é uma adaptação não fiel e despretenciosa ao original, 4 estrelas.
(:
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