Foi no dia 08 de Abril desse ano que oito membros da 'Jazz at Lincon Center Orchestra', o trompetista, Wynton Marsalis e ninguém menos que Eric Clapton, transformaram o 'Rose Hall de Nova York' palco de uma das experiências mais significativas do gênero para o mundo da música.
Marsalis já havia participado do último álbum de Clapton , dedicado ao Jazz Vintage e à covers de Blues, e com o intuito de prolongar o sucesso de entrosamento da dupla a idéia do 'Play the Blues' que é o título que dá nome à esse projeto foi levada adiante como uma apresentação em que conferimos um Marsalis extremamente à vontade com a junção dos gêneros, sorrindo e aprovando à todos os movimentos de seus músicos e principalmente às mãos velozes de Clapton, distrinchando toda sua voluptuosidade flamejante nas cordas . Juntos, trabalharam na elaboração de novas roupagens à músicas clássicas do Jazz como no número animadíssimo de abertura 'Ice Cream' de Louis Armstrong, à uma versão de 'Careless Love' da cantora Bessie Smith e em 'Forty-Four', música de Howlin 'Wolf, significativo guitarrista de blues clássico.
Na equipe: Don Vappie (banjo), Victor Goines (clarinete), Dan Nimmer (piano), Carlos Henriquez (baixo acústico), Ali Jackson (bateria), Marcus Printup (trompete), Chris Crenshaw (trombone, vocais), e Chris Stainton (teclado), esse último conhecido por acompanhar Eric Clapton em muitos de seus trabalhos.
Clapton foi o responsável por selecionar todas as músicas do repertório, exceto 'Layla' que foi solicitada pelo baixista Carlos Henriquez, tranformando um dos hinos da carreira musical do guitarrista quase em um doce canto fúnebre, pois esse novo arranjo carrega uma tristeza saudosa em cada nota. Originalmente esta canção pertenceu ao disco 'Layla and Other Assorted Love Songs' gravado em 1970 numa frequência bastante acelerada. Vinte e dois anos depois Clapton regravou-a em versão acústica, mais lenta, mas a Layla de 'Play the Blues' consegue ser duas vezes mais vagarosa (de forma alguma enfadonha), permitindo o ex-Cream solar à vontade onde não teria espaço nas versões anteriores. E é aqui que Marsalis alcança um timbre quase de sax alto, atingindo uma suavidade notável em seu solo de trompete.
Em 'Just A Closer Walk With Thee', Taj Mahal nos presenteia com sua ilustre presença, e é quando nossos pés já não se aguentam parados e o sorriso não desgruda no canto dos lábios. Há um solo fantástico do baterista de quase um minuto, e outras degustações virtuosas de Clapton e Marsalis. A atmosfera divertida e solta do grupo nos envolve na dança, e não há como não se render às feições de admiração do trompetista para com o guitarrista, então, percebemos que até os gênios tem ídolos!
Os elemento banjo dá um ar de bluegrass nos arranjos, resgatando o blues de raíz que Eric Clapton tanto abusou no início de sua carreira solo. Outra coisa interessante de se notar é o walking bass sempre presente no Jazz clássico, e no concerto mais ativo do que nunca, isso somado à guitarra bluseira de Clapton é a resposta de que gêneros diferentes podem casar tão bem quando o intuito é fazer boa música.
A escolha de Eric Clapton pela Gibson em vez de uma Fender Stratocaster, o instrumento que o acompanhou por décadas foi significativo, pois demarca uma volta do vintage em seu estilo de tocar, talvez uma maneira de integrar melhor uma estética acústica ao Jazz de Marsalis.
Em 'Corrine, Corrina' outro blues clássico gravado por 'Bo Carter', Taj Mahal mostra pra que veio destilando sua voz rouca e afinada, e nos deliciamos por mais de dez minutos em demonstrações individuais hipnotizantes. Pode-se notar que cada músico empresta seu brilho para as canções, levando sua personalidade e bagagem musical ao corpo das músicas. Não há apenas um elemento chave nesse projeto, mesmo com dois deuses atuando juntos percebemos que todos os outros membros do grupo ( elegantemente vestidos de black tie para a ocasião ) contribuem para o sucesso do resultado final.
E quando o espetáculo acabava, Clapton soltou a pérola: 'Eu costumava dizer à todos os bluesmen que conheci que só estava fazendo aquilo ( tocar blues ) até me juntar à uma banda de Jazz.'
Ao meu ver o concerto poderia ser chamado de 'Play the Blues and Jazz', afinal os dois gêneros estão mais que competentemente caracterizados!
5 estrelas.


Esse show é animal!!!
ResponderExcluirE seu texto também, Tamiris!!! Parabéns...
Bjs