O disco 'O Micróbio do Samba', último álbum lançado pela cantora e compositora Adriana Calcanhotto e o único dedicado exclusivamente ao samba foi feito com a elegância sútil de Paulinho da Viola, calmo e sereno como as composições da bela e talentosa Teresa Cristina. E não é à toa que estes nomes me vem à memória ao ouvir faixas como "Beijo Sem" dedicada à Marisa Monte, feita em parceria com a própria Teresa Cristina, outra faixa dedicada à honradíssima intérprete do samba contemporâneo, filha de Martinho da Vila, a Mart'nália é a "Vai Saber".
O Micróbio do Samba recebe o baixo proeminente e inigualável de Alberto Continentino, que já foi baixista do cantor Ed Motta e de Caetano Veloso, o baterista conceituado Alberto Continentino filho do sambista e compositor Ivor Lancellott, Continentino já colaborou em projetos com o Quarteto Em Cy, e com Fernanda Abreu. O disco também tem participações do volátil Rodrigo Amarante, atualmente trabalhando em seu projeto multicultural, a banda Little Joy. Juntos, os arranjos são carregados de uma liberdade despretenciosa em moldar o samba tradicional sem rédeas, deixando claro que este gênero de música brasileira é perfeitamente manipulável, ultrapassando as barreiras da ortodoxia já conhecida e muito copiada ao decorrer da história do samba.
Calcanhotto, conhecida por tecer as linhas da imaginação do público infanto-jubenil com discos como "Partimpim, 1 e 2", aqui, a cantora se mostra bastante madura e à vontade para dizer ao homem que ama que não é facilmente enganada, em "Todo Perfumado", e que é livre para escolher se nas manhãs deseja solidão e se nas noites anseia envolver a delinquência faceira das estrelas, em "Beijo Sem".
Adriana foi sem dúvida contaminada pelo mais belo micróbio do samba neste simples, mas muitíssimo elaborado disco.
E eu ando sendo uma das vítimas!
Recomendo.
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