sexta-feira, 20 de maio de 2011

A genialidade irmã da loucura



SHINE - BRILHANTE é inspirado na história verídica de um menino prodígio australiano, David Helfgott (RUSH). Quando David é aceito numa prestigiada academia de música em Londres, ele sai de seu ambiente opressor e segue sua paixão pela música clássica. Mas, a rejeição de seu pai e a pressão para que domine com perfeição os concertos, o levam ao desequilíbrio mental. Somente o amor da única mulher que o compreende (LYNN REDGRAVE) pode ajudá-lo a se readaptar à sociedade e a compartilhar seu talento musical com o resto do mundo.O filme como um todo é uma ode à música, onde mesmo na solidão e na insanidade mental ela pode ser a sua fiel companheira. Mas não se trata apenas de uma cinebiografia, e o foco não se prende somente na relação do artista prodígio com o instrumento que tanto venera, o piano.
Fala-se do amor cego de um pai que ao perceber que seu lar pode ruir devido à exposição de um membro da família ao mundo externo esse pai surta, agarra a cria entre os braços com temor doentio de que este seu 'forte' possa ser envenenado, e repete entre dentes que 'ninguém lhe amará mais do que eu', o proibe de se desafazer destas amarras, o desafia à ir contra suas ordens pois dessa maneira não poderá mais reconhecê-lo como filho. O menino gênio escorrega por entre mãos calejadas da labuta diária humilde, pede perdão, e segue rumo à sua paixão, à sua própria vida.A partir de então o menino cresce não só de estatura nem de idade, mas como pessoa e sua nova maturidade trás um compromisso fiel à disciplina com a música, e se supera ao entender, e sobretudo SENTIR Rachmaninov. No ápice do filme, quando penso que irei enfartar devido à adrenalina de ver o menino-homem destrinchando toda a sua paixão em sua prova de fogo, faz seu pai chorar à distância o ouvindo, faz a platéia aplaudir de pé por minutos intermináveis, faz seu professor se reconhecer e remeter-se em épocas douradas quando podia enamorar-se pelo piano...e suando, em transe, exausto; desmaia.

Neste interím seu pai cumpriu com sua promessa de dar as costas ao filho, e a rejeição da figura paterna somado ao estresse de querer chegar à perfeição afim de se superar e dar ao orgulho ao pai, o faz sucumbir à um mundo particular. O menino homem se fecha em si mesmo, num mundo de fantasia.

Eu só preciso dizer que esse longa me causou inúmeras sensações...uma angústia que amarrava o nó na garganta, uma emoção que me inundava os olhos, uma expectativa que me botava no lugar do personagem. A trama é muitíssimo cadenciada, a trilha é estupenda, e a atuação de Geoffrey Rush (Discurso do Rei), que inclusive já mencionei ele aqui, sem dúvida foi digna e merecida ao Oscar que teve nas mãos! Não há como não se dobrar aos teus encantos, à tua simpatia, ao amor que ele tinha pra dar à todos e que foi negado pelo pai...

A história é linda e sofrida, nos remete à vida real...

Um comentário: