Originado de Jam Sessions realizadas em clubes e pequenos festivais da Nova Zelândia, cidade natal do grupo, o Fat Freddy's Drop contam apenas com dois álbuns de estúdio ( Based on a True Story e DR Boondigga and the Big BW ), dois álbuns ao vivo ( Live at the Matterhorn e Live at Roundhouse ) e uma porção de singles dos quais trouxeram essa big band do anonimato para os ouvidos de milhares de amantes de boa música espalhados por esse mundão.
E a genialidade virtuosa por trás dessa cozinha musical bem temperada está o vocalista dono duma das vozes mais melodiosas da atualidade, Joe Dukie, e o percursionista, dj e produtor do projeto desde os primórdios do grupo, Chris Faiumu, juntos, e os outros 5 músicos que integram essa família, emprestam através dos metais, sintetizadores e cordas, muita energia pra se balançar na pista de olhos fechados ou se preferir, ritmar aquela faxina geral em casa.
Roots, Dub, Pop, Reggae, Jazz ou Soul, são tantas as possíveis definições para o som dos Fat Freddy's Drop, que acaba por ser imperativo dizer que os sete talentosos neozelandeses criaram uma sonoridade única, que só a eles caracteriza.
O primeiro disco de originais, Based on a True Story chegou em 2005 e acabou por ser o principal responsável por espalhar o som da banda pelo mundo fora, tendo inclusive alcançado o importante prêmio para 'Álbum Internacional do Ano' no programa do reconhecido Gilles Peterson, na BBC Radio. O single "Wandering Eye", também levou o prêmio de escolha do público no New Zealand Music Awards, em 2006.
O disco abre com 'The Camel', arrastada, um pouco morna até, abrindo o terreno para 'The Raft' , a mais longa do álbum. De base ragga ela é preenchida por metais que crescem de tamanho na medida em que as cordas que puxam o ragga se intensificam. Em seguida a atmosfera intergalática de 'Flashback' toma conta do nosso imaginário, e somos invadidos pela expectativa do que pode vir pela frente. E ela se mantém rasteira e intrigante até seu último décimo segundo minuto, tendo seu ponto de maior groove em momentos esparsos, sendo adornada pelo sax alto acumulando a sensualidade da canção...essa é aquela balada pra dançar colado.
'Pull The Catch' é um dub com forte elementos motownzísticos, característica bastante presente na construção instrumental das obras do grupo. Por volta do sexto minuto a canção veste outra fantasia e se transforma quase num drum n' bass frenético tomado por baquetas aceleradas que tem como acompanhante os graves miúdos do baixo, então, distorções eletrônicas entram na brincadeira até terminar como começou, sussurrante até se calar.
Em 'The Nod' o groove dos metais e cordas são ainda mais presentes. A letra descontraída, as rimas e a interação da banda com o público faz dessa a mais divertida do disco.
E não haveria melhor escolha de canção para encerrar o disco, pois 'Shiverman' ganha toda uma roupagem mais empolgante e enérgica. Quando se dá os dezesseis minutos temos a impressão de que acabou cedo demais. Em seus primeiros doze minutos somos inebriados pela estabilidade linear de um dub, até que os meninos virtuosos nos surpreendem mais uma vez ao virar a música do avesso num set eletrônico pra enfim ser desmarcarado por um ska excitante, daqueles de sair do chão, durando os três minutos restantes da viagem.
Sem dúvida o melhor disco ao vivo de 2010, dos últimos tempos e o melhor que eu já tive a sorte de ouvir na vida.
Selo Brave New World de qualidade!
Fat Freddy's Drop Live at Roundhouse
Tracklist
01. The Camel
02. The Raft
03. Flashback
04. Pull The Catch
05. The Nod
06. Shiverman
Ouça o disco na íntegra aqui:
Fat Freddy's Drop Live at Roundhouse



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