quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pimentas continuam quentes.



Josh, o novo guitarrista do Red Hot Chili Peppers, escreveu num papel em um insight o que seria o nome do álbum novo do grupo, e isso ocorreu quando eles não tinham mais tempo para decidir qual seria o título e depois de tentativas vãs a banda se apaixonou pela frase e então, 'I'm With You' foi eleito por unanimidade. Kieds comentou que certa vez um garoto o abordou na rua e ao apertar sua mão disse a ele: 'I'm With You!', e ele sem entender perguntou: 'Where did you hear that??' e o garoto apenas repetiu o que havia dito, quando Kieds se deu conta que ele provavelmente escutou em alguma estação de rádio, e radiante percebeu que o título funcionaria. "I'm With You" é o único álbum desde 'Mother's Milk' que não leva o nome de uma das canções do álbum no título.




A banda seguiu para as gravações do novo disco depois de um jejum de quase 5 anos desde seu último trabalho, o 'Stadium Arcadium'. Foram selecionadas para entrar no álbum quatorze de sessenta canções que cada integrante trabalhou arduamente na confecção do projeto. Flea por exemplo, praticou teorias de  piano na 'University of Southern California' e então levou pro grupo a prática de escrever músicas através do instrumento, o que deu muito certo. E em todo esse processo, Kieds, Chad e Flea trabalhavam numa maneira de entrosar a maneira Pepper de tocar com o jeito mais contido mas sem sombra de dúvida competente de Josh Klinghoffer tocar, então descobriram que a melhor forma de fazer isso era apenas 'reagir' ao novo membro do time.

A escolha pelo substituto de John Frusciante que saíra do grupo alegando uma exaustão compreensível com as turnês de uma banda de rock e deixando clara a sua intenção em traçar seu próprio caminho na música não foi por acaso, o guitarrista acompanhou Frusciante por um bom tempo com seu projeto solo, e apesar de ter sua personalidade ao tocar, acabou adquirindo similaridade no jeito de Frusciante manejar a guitarra, o que fica evidente na sua estréia com a banda. Poucos riffs e muita técnica, essa é a marca de Josh.



Num disco que se fala de política, abuso de poder e desigualdades sociais, 'I'm With You' poderia soar pesado, mas seus tantos arranjos que permeiam do Funk/Groove à sujeira elaborada do bom e velho rock dos Peppers não há como pensar assim. 'Factory of Faith' tem acordes fortes do baixo de Flea, uma levada pop gostosa e back 'in vocal de Josh que lembra aos de Frusciante. 'Brendan's Death Song' é uma lullaby sobre partidas, 'Ethiopia' tem uma bateria sensacional em contratempo, e um solinho gradativo na guitarra, 'The Adventures of Rain Dance Maggie' escolhida como música de trabalho na minha opnião é a menos brilhante e a mais redonda do disco, com refrão de fácil absorção e pouco desenvolvimento dos instrumentos, 'Did I Let You Know' é a estrelinha dourada da track-listing. Com bateria swingada de Chad, vocal doce e suave de Kieds, guitarra que nos remete à surf music, baixo com influências no groove, percursão e os metais introduzidos estratégicamente no miolo da canção dão o ar inovador que a banda buscou pra esse disco depois de tantos anos na estrada e tantos outros em um hiato por inseguranças do grupo sobre continuar com a música ou não. Na 'Goodbye Hooray' temos um solinho de Flea seguido de uma viagem na guitarra de John que não há como não lembrar do experimentalismo de Frusciante, essa música é a mais 'suja' do álbum. Em 'Happiness Loves Company' o piano cria o compasso, 'Even You, Brutus?' foi a última  a ser escrita pelo grupo e depois dela as baladinhas preenchem o álbum com o gostinho de missão cumprida. 'Dance, Dance, Dance' faixa que fecha o disco, é descrita como a canção mais atmosférica do álbum.





"I'm With You" é uma prova de que gigantes da música dificilmente se abalam com percalços do caminho pois a banda continua com sua essência apimentada de "By The Way", com o virtuosismo surpreendente de 'Californication' mas ainda sim é um álbum diferente pois traz consigo uma nova cabeça pensante, e a bagagem considerável adquirida com os anos na estrada faz do novo disco uma oportunidade para continuar se reinventando num solo em que poderia estar infrutífero mas que permanece rico e sadio em qualidade.



5 out of 5 stars.

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