É quase impensável expor pensamentos num 'blog' sem mencionar dos gostos particulares para filmes, música e outras coisinhas prazerosas dessa vida. Afinal, gozar de prazeres que engrandecem a alma e o intelecto não está passível a penas e sanções.
.............................................................................................................................................................
.............................................................................................................................................................
'Jean-Luc Godard é um mestre em retratar em forma de arte as inquietações humanas. Neste filme em particular é latente a busca de Angela (Anna Karina) em se impor diante dos homens à sua volta o seu poder feminino para conseguir o que mais anseia: ser mãe. Pode parecer controverso já que para isso é necessário um homem, mas nesse caso Angela cogita até a engravidar de outro homem se seu esposo continuasse negando a ela essa vontade.
Em meio a toda aquela atmosfera francesa, podemos enxergar com olhos de telespectador ativo, pois frequentemente somos tragados ao meio das cenas a modo de que nos sentimos personagens da trama, essa é outra maneira que Godard nos seduz em sua arte de captar as cenas. E ele reinventa a comédia-romântica, enche a tela de luzes azuis e vermelhas, faz com que Émile (Jean-Claude Brialy) seu esposo na trama e Alfred (Jean-Paul Belmondo) amigo de Ângela apaixonado por ela, tentem provar a todo instante que são aptos a chamar a atenção daquela mulher de imensos olhos verdes e sorriso infantil. E quando há siliêncio por 'birras' do casal (narrada uma vez na música belíssima de Charles Aznavour em uma tomada de 3 minutos enquanto Ângela decide se se importa com a traição de seu infiel esposo, tempo completo da música) o casal exêntrico se comunica através de títulos de livro!
Haveria de ser mais genial?
No mais, a trilha sonora forte nos causa incômodo, pois ela não nos avisa quando vai chegar e quando chega não nos avisa quando vai sair, e nos assusta com seus tambores e agudos na escala maior. Mas vibramos com sua potência à medida que a intriga se ameniza.
Eu que não aprecio comédias-românticas digo que vale a pena se entorpecer com a arte de Godard ao tecer as linhas confusas da mulher aos olhos dele.
'Je ne suis pas infame, je suis une femme'
Nenhum comentário:
Postar um comentário